28.5.07

Do amor se espera tudo




Do amor se espera tudo
atiça o seu destino
Do amor se espera tudo
que salve ou que se perca,
no eterno desatino
Do amor se espera tudo
Luz e Divindade
e o que nos faça Unos
tal Santíssima Trindade
Do amor se espera tudo:
que venha e desconcerte
que rasgue e que conserte
que sangre e alivie
Do amor se espera tudo
perdão e descompasso
certeza e mais um passo
Do amor tudo se espera

Menos, que castigue.

(desconheço autor)

19.5.07

Corredores




Eu andei
Sorri
Chorei tanto
Não me arrependi
Ganhei e perdi
Fiz como pude
Lutei contra o amor
Quanto mais vencia, me achava um perdedor
Mais tarde me enganei e vi com outros olhos
Quando as vezes nao amei a mim
Nao por falta de amor
Mas amor demais
Me levando pra alguém
Quem visitou os corredores da minha alma
Soube dos enganos, secretos planos e até os traumas
Eu sempre fui muito só

(by Ana Carolina)

15.5.07

Me lambuza o corpo...



D E S E J O

do Lat. *desediu ou b. Lat. desidiu

s. m.,
aquilo que se deseja;
apetite;
cobiça;
anseio;
propósito;
intuito.

11.5.07

Um Bonde Chamado seu Beijo



Quem encobrirá meu sono?
Beijará quem minhas costas no cotidiano?
Quem, no meio do frio, me cobrirá com lindas orelhas
e me dirá palavras indecentes nos ouvidos?
Quem, atrevido, me acordará com o ponteiro em riste
como um pássaro que não quer tudo
apenas o céu, a gaiola, o alpiste?
Quem que, quando eu dormisse, por mim zelasse
e eu, quando acordasse, lhe fizesse iogurtes brejeiros
massagens nos pés, cumplicidades de enlace?
Quem me agarrá por trás quando eu sair cheirosa do banho
e terá orgulho de eu ser guerreira e perfumada ao mesmo tempo?
Quem em bom senso dirá que muito me assanho
quem orientará a guerrilha diária a que me proponho
quem será inteligente e gostoso a meu lado como está no meu sonho?
Quem, a quem disponho a cozinhar e fazer versos
quem racional e perverso cochichará nos tímpanos da minha alma
a doce ordem, a venla palavra: Calma?
Quem com sua alma me mostrará um mar vertical?
Quem, meu igual, me apontará andores reais, sem excesso de glacê no bolo
Com determinação de touro e a nobreza de poder ser banal?
Quem, coisa e tal, me beijará a boca e me enfiará as mãos
por debaixo da barra do segredo do vestido
e um dia passeará comigo no segredo contido na Barra do Jucu?
Quem, senão tu que eu elejo, eu planejo, pode habitar o lugar
a suíte que há tanto tenho reservado?
Quem, encomendado, pode me manter na confiança dos edredons
enquanto não chega?
Quem, com certeza, me visitará num outubourbon no gume da lira
de eu ser égua, cadela, mulher e sua?
Quem sobre mim sua, pinga, chove?
Quem que com lucidez resolve o abismo simples de prever o risco de sonhar
pra nele mesmo cair, rir
e se embolar?
Quem me dará a idéia de conceber a saudade no sentido tático
quem, não estático, de longe me fará cometer poemas de meia-noite?
Quem, sem favor, me estende o braço com rodas na mão
com explicação pro meu calor?
Quem, senão meu doido bondinho
meus olhos acessinhos, meu comedor...
Meu triz, meu risco
meu cristo redentor?

(by Elisa Lucinda)